Este post foi inspirado no vídeo da blogueira brasileira Fernanda Mello de nome "O Amor é Punk".
O amor até pode ser Punk mas a paixão... a paixão é, sei lá, Heavy Metal?! A paixão é agarrar numa faca e ter vontade de a espetar no próprio peito, ou então no peito da filha da mãe que nos roubou o homem! A paixão mata, corroi, é uma alegria histérica que magoa, é um sofrimento que nos faz sentir vivos. A paixão é morrer por dentro quando ele nos troca por outra...
Ainda me lembro dos tempos de escola, eu, uma totó ( e ainda sou,é daquelas coisas que nunca mudam por mais tentemos), que como todas as totós dos filmes se apaixonou pelo rapaz mais giro da escola. Vendo bem, depois de todos estes anos, ele até nem era assim tão giro, tinha uma cabeça enorme, acne e voz de menina, ainda mais fina que a minha, mas tinha uns caracóis.... tinha uns caracóis que enchiam o meu dia, um dia ele rapou o cabelo e eu chorei baba e ranho, esmurrei a almofada e no dia seguinte voltou tudo ao que era, perdoei-o, ele voltou a ser o centro dos meus dias e a razão pela qual me levantava da cama todos os dias, e escolhia a roupa que escolhia, e a razão pela qual respirava e existia... Até ao dia em que o mundo desabou.
Ali estava ele, de mão dada com uma galdéria qualquer (pode ser até a "santinha da luz" mas se nos rouba o homem é galdéria e pronto!)... que ódio!! Mas o que é que ele viu nela? Eu era mais magra! Ela tinha à vontade mais um ou dois quilos que eu, a gorda... GORDA! Eu era magra e loira, e toda a gente sabe que os homens preferem as loiras! Ela tinha uns olhos azuis enormes (e lindos) mas eu podia por lentes, eu podia até mudar a cor do cabelo, engordar, mudava tudo o que ele quisesse só para que ele me escolhesse a mim! (Nunca aconteceu...)
A paixão anula-nos como pessoas. A nossa vida passa a reduzir-se apenas a uma pessoa. Tornamo-nos perseguidoras, stalkers, mesmo! Vigiamo-los no Facebook, tentamos frequentar os mesmos sítios, gostar das mesmas coisas... deixamos de existir para passar a ser apenas uma sombra (e ninguém quer viver um romance com uma sombra).
O amor é pacífico, é um porto de abrigo, uns braços abertos para nos receber... é um respirar de alívio depois de tanto sofrimento nas mãos da paixão. O amor vive em várias pessoas, em vários lugares, em várias coisas... Não existe um amor, existem vários, que em conjunto nos fazem sentir seguros e felizes.
Não vou dizer que o amor não é punk, mas é um punk um bocado panilhas...
Se a paixão é um fogo que arde , o amor é uma fogueira que nos protege e nos deixa mais quentes.
O amor é resignação, é baixar os braços... é deixar morrer as borboletas que nos habitam o estomago, é desistir de uma batalha que não vamos ganhar. O amor é paz, é tranquilidade, é segurança. O amor às vezes parece uma seca e eu não sei se já estou preparada para ele...
O amor é deixar de parte as paixões à filme, as síncopes cardíacas e as faltas de ar, o correr de mãos dadas pelos campos....
A paixão nunca quis nada comigo...
A paixão é heavy metal, e o heavy metal não foi feito para totós...
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